A IA está mudando o que significa “fazer SEO”. Não só pela forma como os resultados aparecem, mas por como marcas são descobertas, entendidas e consideradas confiáveis dentro dos próprios sistemas que as pessoas usam para aprender, avaliar e decidir.
E isso força uma mudança de mentalidade: medir sucesso só por cliques e posições (as clássicas “métricas de vaidade”) já não descreve a realidade, especialmente porque muita gente conhece e forma opinião sobre marcas sem sequer visitar um site.]
Para falar sobre isso, adaptamos mais um artigo do SEO Journal, agora explicando como esse novo cenário do SEO por demanda está se estruturando.
O problema do “SEO de desempenho”: só capturar demanda que já existe
Por muito tempo, o SEO foi excelente em ajudar pessoas a encontrarem você numa lista estática de resultados. Palavra-chave, conteúdo e links serviam, principalmente, para ganhar o clique de alguém que já sabia que tinha um problema e estava procurando uma solução.
Só que a IA bagunça esse roteiro.
A descoberta foi empurrada para dentro da resposta (e isso muda o tipo de valor)
Todo ano, chega o 8 de março e acontece a mesma coisa: a marca que some o ano inteiro aparece de repente com “homenagem”, flor, manifesto e frase pronta.
O problema não é comunicar a data, mas usar da comunicação só como um teatro simbólico: bonito no feed, oco na prática.
Em 2026, o público avalia a coerência, para além da mera estética da campanha. Marcar presença sem contribuir de verdade já não é mais o suficiente.
E coerência se mede no dia 9 de março, no dia 10, em junho, em outubro… Quando ninguém está olhando.
Campanha vazia é aquela que tenta resolver com discurso o que só se resolve com medida
Existe uma diferença enorme entre:
- “falar de equidade” no Dia das Mulheres
e - praticar equidade no contrato de trabalho, no plano de carreira e nas decisões do dia a dia.
Quando o discurso não tem lastro, ele não tem impacto nenhum. E pior: vira risco.
Porque quem recebe a informação não é bobo. O público, os clientes, os parceiros… Todo mundo consegue comparar a diferença entre o que uma marca diz com o que ela faz.
O dia a dia pinta um quadro próprio, independente do que é dito: quem lidera, quem aparece, quem decide, como se contrata, como se promove, quanto se paga, como se responde quando um caso de assédio acontece…
Não é só sobre propósito. É sobre negócio (e os dados já mostram)
Equidade de gênero na comunicação não é favor e nem enfeite. É eficácia.
Um estudo da Circana em parceria com a SeeHer (repercutido no Meio & Mensagem) aponta que campanhas que retratam mulheres de forma precisa e positiva podem gerar aumento de vendas de até 10 vezes (e esse efeito cresceu em relação ao estudo de 2019).
O mesmo estudo também destaca o tamanho do jogo: mulheres detêm um poder de compra global estimado em US$ 31,5 trilhões e, ainda assim, seguem sub-representadas ou mal representadas em campanhas.
Ou seja: quando a comunicação faz direito, contribui para uma importante pauta de representatividade e ainda melhora o próprio resultado.
Só que o contrário também é verdadeiro: quando a marca faz só por obrigação de data, o público percebe e a campanha se perde no meio de milhares de iniciativas genéricas parecidas.
Representar mais não basta se representar mal
Tem avanço? Tem. Mas ainda tem um teto bem claro.
Na publicidade digital, um estudo com marcas grandes no Brasil (também repercutido no Meio & Mensagem) mostrou aumento da presença feminina (59,7% das peças com pessoas em 2024 vs 48,9% em 2023), com mulheres aparecendo sozinhas em 68% das publicações.
Ao mesmo tempo, a própria pesquisa aponta que a imagem feminina ainda é muito vinculada a estereótipos (casa, cuidado e beleza).
Ou seja: não é só sobre “ter ou não ter mulheres na peça”. É sobre como a mulher aparece, em que papel, com que agência, com que história.
O teste do lastro: 5 perguntinhas que desmontam campanhas vazias
Se você quer comunicar Dia das Mulheres sem cair no vazio, responda com honestidade:
- A empresa mede e corrige diferença salarial por gênero?
- Existe política clara de contratação, promoção e liderança com metas reais?
- Mulheres têm poder de decisão onde o dinheiro e a estratégia estão?
- Existe canal de denúncia com governança e consequência?
- A marca investe nisso o ano inteiro, ou só aparece em março?
Se a resposta for “não sei” ou “a gente está vendo”, cuidado: você talvez esteja prestes a transformar o 8 de março num exercício público de autoengano.
Como fazer uma boa comunicação para março sem ser oportunista
Aqui está o caminho mais simples e mais difícil ao mesmo tempo: coerência.
- Assuma recortes reais (o que já existe, o que ainda falta, qual o plano).
- Troque “manifesto perfeito” por compromisso mensurável.
- Mostre medidas, não só frases.
- Traga dados reais sobre a evolução real do mercado e, se possível, da realidade dentro da sua própria empresa.
Dia das Mulheres não é o dia de aparecer. É o dia de provar que a marca tem estrutura para sustentar o que diz.
Quer comunicar com lastro?
Na Uá Uá, a gente acredita que comunicação boa é comunicação em que o discurso está alinhado com a prática.